Da Euforia a Criminalidade

CID 10/F19:

Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e, ao uso de outras substâncias psicoativas.

ADICTO: Dependente de: Submisso.

Quando delegado de polícia da ativa e, desenvolvia minhas funções lotado na Divisão de Combate a Narcóticos, muito me incomodava, mas tinha por obrigação cumprir com o dever para o qual prestei juramento, aplicar a lei contra jovens que comercializavam substâncias entorpecentes ilícitas, mesmo sabendo que dentro da hierarquia do comércio do narcotráfico, em nada representavam, ou seja, não produziam e nem tão pouco eram lojistas, mas diante do preceito legal, eram tidos como narcotraficantes. Fato que muito me incomodava e me fez aprofundar em pesquisas.

Busquei em algumas comunidades terapêuticas, entrevistar internos (adictos), aqueles que reuniam condições de franqueza e verdade, assim como os profissionais que os tratam e os acompanham. Em todos, observei um linguajar comum, como se tivessem um idioma próprio; lombrado quando faziam uso da maconha, noiado quando faziam uso do mesclado, ou seja, quando fumavam a maconha misturada com a pasta a base de cocaína e, trincado quando faziam uso da cocaína, inspirando, porém o que mais chama atenção é que na sua grande maioria, a experiência com as drogas ilícitas, vem da adolescência. A iniciação ou primeiro contato com as drogas, esta, na curiosidade, influência de amigos, exemplos de familiares ou em traumas diversos, entretanto em todos os casos, sempre cultivam o sentimento que não se tornariam dependentes químicos, adictos. Com a frequência do uso, inicialmente em baladas, para relaxamento e, para alguns, com o fim de esquecer ou minimizar as lembranças de seus traumas, afirmam que com o tempo o organismo passou a reclamar a falta, pois quando o efeito das substâncias cessava, sobrevinha o medo, angústia e até depressão.

O tempo passa exigir mais, além do uso das substâncias, o dispêndio financeiro, pois o custo dessas substâncias é alto e a necessidade frequente do uso, faz com que esse dispêndio financeiro se torne incontrolável; aí sobrevêm o pior, a prostituição, o furto, o roubo e o tráfico. Nossa pesquisa, nos proporcionou identificarmos que da euforia inicial que proporciona o uso das drogas ilícitas e, uma vez transformado o usuário em adicto, esse inicialmente busca a prostituição, ou mesmo se prostitui para manutenção financeira da necessidade do uso das drogas, porém sobrevindo as dividas com o lojista do trafico adicionado a necessidade orgânica do uso dessas substâncias e, por necessidade de sobrevivência passam furtar, roubar e até traficar, como transportadores ou mesmos vendedores, neste momento é que podem vir a ser presos e responder a processo criminal com base na lei de trafico vigente, passando assim a conviver com a escoria da sociedade e ser morador da pior escola do crime, que são as casas penais brasileiras.


– Paulo Tamer

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